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Controle Elite Series 2: quando o “premium” vira desrespeito com o consumidor

6 min de leiturapor Veloxy
Atualizado por último em: 30 de abril de 2026 às 00:07 BRT
Existe um tipo de frustração que só quem pagou caro demais em algo “profissional” entende. Não é apenas sobre o produto quebrar. Produtos quebram. O problema é quando ele quebra rápido, quebra de maneiras previsíveis, quebra exatamente nos pontos que outros consumidores já vinham reclamando há anos, e a empresa responsável parece tratar tudo como se fosse um pequeno acidente isolado. É assim que eu resumiria minha experiência com o Xbox Elite Wireless Controller Series 2.

Estamos falando de um controle que no Brasil gira facilmente na casa dos R$ 1.100 a R$ 1.300, dependendo da loja e da versão. Em consultas recentes, o Elite Series 2 Core aparece na Amazon Brasil por cerca de R$ 1.079,99, enquanto a versão Elite Series 2 tradicional aparece por volta de R$ 1.159,00, reforçando que não estamos falando de um acessório barato, mas de um produto vendido como topo de linha. E justamente por isso a cobrança precisa ser maior.

Depois de três anos e dois controles, um comprado e outro recebido por meio da garantia, eu posso dizer com tranquilidade: são poucas as coisas que a Microsoft acertou nesse produto. O Elite Series 2 tem boas ideias, sim. A pegada é excelente quando novo, os paddles traseiros são úteis, a customização é interessante, os gatilhos ajustáveis fazem diferença e a proposta de um controle “definitivo” para Xbox e PC é extremamente atraente.
Mas existe uma diferença enorme entre ter boas ideias e entregar um produto confiável.

Problemas Crónicos

O problema é que muitas das falhas do Elite Series 2 não parecem ser novidades. Reclamações sobre borracha soltando, botões de ombro falhando, stick drift e problemas de construção já acompanhavam o Elite Series 1. Mesmo assim, a Microsoft lançou uma segunda geração que, na prática, continuou carregando parte importante dessa herança maldita.
A borracha que começa a soltar depois de algum tempo é talvez o exemplo mais simbólico. Em um controle comum, isso já seria irritante. Em um controle premium, é inaceitável. Principalmente porque esse é um produto feito para ficar horas na mão do jogador. Ou seja: suor, calor e atrito não deveriam ser uma surpresa de engenharia. Deveriam ser o ponto de partida do projeto.

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Depois vem o stick drift. No meu caso, apareceu depois de cerca de seis meses. E aqui a situação fica ainda mais absurda, porque o problema de drift em controles Xbox já foi alvo de ação coletiva nos Estados Unidos. Em 2020, uma ação alegou que determinados controles Xbox registravam movimentos fantasma nos analógicos, mesmo sem o jogador tocar neles. A ação foi posteriormente atualizada para incluir os modelos Elite, incluindo o Elite Series 2, ou seja, não estamos falando de uma reclamação escondida em meia dúzia de fóruns obscuros da internet. Estamos falando de um problema suficientemente grande para virar disputa judicial e manchete internacional.

E a própria Microsoft acabou reconhecendo, de certa forma, que havia algo errado. Em outubro de 2020, a empresa estendeu a garantia do Elite Series 2 de 90 dias para um ano, em meio às reclamações de hardware e ao contexto da ação coletiva. A extensão também foi aplicada retroativamente, com reembolso para alguns reparos pagos anteriormente.
Isso torna tudo ainda mais frustrante. Porque, quando uma empresa chega ao ponto de estender a garantia de um produto desse nível, ela está basicamente admitindo que a experiência do consumidor não estava à altura do preço cobrado.

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No meu caso, quando precisei acionar a garantia já expirada, paguei aproximadamente metade do valor de um controle novo para receber outro controle. E aí vem a parte que parece piada, mas não é: o controle recondicionado chegou já com problema no RB. Depois de cerca de oito meses, começou também a soltar a borracha. A essa altura, a sensação não é mais de azar. É de padrão. E esse é o ponto central: o Elite Series 2 não falha como um produto barato falha. Ele falha como um produto caro que tenta parecer premium por fora, mas que não sustenta essa promessa por dentro.

RB e LB parando de funcionar aos poucos são outro capítulo dessa novela. Primeiro você percebe uma falha ocasional. Depois precisa apertar com mais força. Depois começa a duvidar se errou o comando ou se o controle simplesmente ignorou sua ação. Até que, em algum momento, você aceita que não é você. É o controle. E nada é mais irritante em um acessório “pro” do que a sensação de não poder confiar em um botão básico.

O mais grave é que o Elite Series 2 deveria ser justamente o controle para quem joga mais, exige mais e está disposto a pagar mais por uma experiência melhor. Só que, se o produto não aguenta uso intenso, então ele não é profissional. Ele é apenas caro.

A Opção

Enquanto isso, o mercado começou a andar. Hoje já existem controles com recursos que atacam diretamente os pontos fracos do Elite, especialmente o stick drift. A GameSir, por exemplo, tem apostado em modelos com analógicos TMR e gatilhos Hall Effect. O G7 Pro é divulgado pela própria marca com conectividade tri-mode, suporte para Xbox, PC e Android, sticks TMR e gatilhos Hall Effect.

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No caso específico do GameSir G7 Pro Zenless Zone Zero, a própria GameSir afirma que ele oferece suporte wireless 2.4 GHz para consoles Xbox, além de funcionamento com fio, sticks TMR e gatilhos Hall Effect. O Windows Central também descreveu o modelo Zenless Zone Zero como um controle Xbox wireless oficialmente licenciado, com sticks resistentes a drift, botões com microswitches ópticos, botões traseiros remapeáveis, dock de carregamento e preço de US$ 129,99 (aprox. R$700 em conversão direta).

É claro que isso não significa automaticamente que o GameSir será perfeito. Nenhum produto é imune a defeitos. Mas existe algo muito simbólico quando uma alternativa mais nova parece atacar justamente os vícios que a Microsoft, com toda sua estrutura, dinheiro e domínio do próprio ecossistema Xbox, ainda não resolveu de forma convincente.

O Elite Series 2 deveria ser o padrão ouro dos controles Xbox. Em vez disso, virou um produto que muitos consumidores compram torcendo para não serem sorteados pela loteria dos defeitos. E quando um controle de mais de mil reais exige sorte, alguma coisa está profundamente errada.

A Microsoft sabe fazer hardware bom. O controle padrão do Xbox é confortável, confiável para muita gente e virou referência no PC por anos. Por isso o caso do Elite Series 2 incomoda tanto. Não parece falta de capacidade. Parece falta de prioridade.

E é aí que entra o desrespeito.

Desrespeito não é apenas vender um produto com defeito. Desrespeito é continuar vendendo um produto caro com problemas recorrentes conhecidos. É cobrar preço premium e entregar durabilidade questionável. É fazer o consumidor pagar caro, pagar reparo, receber recondicionado e ainda assim lidar com os mesmos defeitos. É transformar o cliente fiel em alguém cansado, desconfiado e, finalmente, decidido a nunca mais comprar aquela linha.

No meu caso, a decisão está tomada: Elite Series nunca mais, pelo menos até a Microsoft resolver essa situação de verdade.
Não adianta lançar nova cor, nova edição, novo pacote ou nova campanha de marketing. O que o consumidor quer é simples: um controle premium que funcione como premium. Que dure como premium. Que justifique o preço como premium.

Porque, do jeito que está, o Elite Series 2 não parece um controle de elite.

Parece um lembrete caro de que nem todo produto “pro” respeita quem paga por ele.

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