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Criador de God of War justifica o fim da mídia física no PlayStation: “A maioria supera a minoria”

5 min de leiturapor Mustefuego
Atualizado por último em: 4 de agosto de 2026 às 19:16 BRT
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A decisão da Sony de encerrar a produção de novos jogos em disco a partir de 2028 continua provocando críticas entre colecionadores, defensores da preservação e consumidores que dependem do mercado de usados. Para David Jaffe, criador de God of War, porém, a explicação para a mudança é essencialmente comercial: a maior parte do público já prefere comprar digitalmente.

Em uma publicação nas redes sociais, o desenvolvedor argumentou que as empresas nem sempre conseguem atender consumidores com interesses opostos. Nesse cenário, a Sony estaria priorizando o comportamento da maioria, mesmo que isso prejudique uma parcela menor, mas ainda significativa, de sua base.

A mudança não afetará os títulos lançados anteriormente. Jogos disponibilizados até o final de 2027 ainda poderão receber edições físicas, enquanto os novos lançamentos produzidos a partir de janeiro de 2028 serão comercializados apenas em formato digital.

Criador de God of War justifica o 
fim da mídia física no PlayStation: “A maioria supera a minoria”

David Jaffe acredita que Sony está seguindo a maioria

Jaffe recorreu à ideia de que “as necessidades da maioria superam as da minoria” para explicar a postura da fabricante. Segundo ele, a empresa provavelmente entende que manter toda a estrutura necessária para produzir e distribuir discos deixou de fazer sentido diante do avanço das compras digitais.

Isso não significa necessariamente que o desenvolvedor considere irrelevantes as preocupações envolvendo preservação, revenda ou propriedade dos jogos. Seu argumento se concentra na lógica empresarial por trás da decisão.

A fabricação de mídias físicas envolve impressão, embalagem, transporte, armazenamento, distribuição, devoluções e divisão da receita com varejistas. Na PlayStation Store, a Sony controla praticamente todas as etapas da venda e preserva uma parcela maior do valor pago pelo consumidor.

Vendas digitais já representam 82% dos jogos completos

Os números divulgados pela própria Sony ajudam a explicar essa estratégia. No primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, foram vendidas 66,1 milhões de cópias completas de jogos para PS4 e PS5. Desse total, 82% foram adquiridas digitalmente.

No ano fiscal anterior, a participação dos downloads havia ficado em 78%. A comparação considera apenas jogos completos e não inclui expansões, moedas virtuais, conteúdos adicionais ou microtransações.

Isso significa que as cópias físicas responderam por somente 18% das unidades vendidas no trimestre. Apesar de ainda representarem milhões de jogos, elas já formam uma parcela muito menor do mercado atual da Sony.

Outro levantamento apontou que apenas sete jogos para plataformas PlayStation ultrapassaram 100 mil cópias físicas vendidas nos Estados Unidos ao longo de 2026. O dado considera apenas o mercado norte-americano, mas reforça a redução da presença dos discos.

Formato digital é mais lucrativo para a Sony

Jacob Navok, ex-diretor de desenvolvimento de negócios da Square Enix, também comentou a discussão e destacou os custos adicionais das edições físicas.

Mesmo quando disco e download possuem o mesmo preço final, a versão física gera despesas com fabricação, transporte, armazenamento, unidades defeituosas, devoluções e produtos roubados. Nas vendas digitais, grande parte dessa estrutura desaparece.

Navok defende que consumidores interessados em manter o formato deveriam aceitar pagar mais pelas cópias físicas. O argumento, contudo, enfrenta uma limitação importante: as fabricantes nunca ofereceram amplamente esse modelo como alternativa para garantir a continuidade dos discos.

Edições de colecionador mostram que existe um público disposto a gastar valores maiores, mas isso não comprova que haveria demanda suficiente para sustentar versões físicas de todos os lançamentos.

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fim da mídia física no PlayStation: “A maioria supera a minoria”

Discos oferecem vantagens que o digital não substitui

Apesar da queda nas vendas, as mídias físicas continuam oferecendo benefícios ausentes no modelo exclusivamente digital.

Um disco pode ser emprestado, trocado, revendido ou adquirido usado. Também permite que diferentes lojas disputem preços e realizem promoções independentes da fabricante do console.

Quando a distribuição depende apenas da PlayStation Store, a Sony passa a controlar o preço, a disponibilidade e as condições de acesso aos produtos. O jogador também fica mais dependente de sua conta, das políticas da plataforma e da manutenção dos servidores.

Essa diferença pesa especialmente em países onde os lançamentos custam caro. Muitos consumidores conseguem acompanhar os principais jogos vendendo as cópias após terminá-las ou aguardando uma redução no mercado de usados.

Portanto, os 18% que ainda compram jogos físicos podem representar uma minoria estatística, mas continuam formando um grupo relevante dentro do mercado.

Nem todo disco atual funciona sem downloads

A preservação física também não é perfeita. Um levantamento do projeto DoesItPlay apontou que 34% das edições testadas no PS5 precisam de algum download relevante para corrigir problemas graves ou disponibilizar conteúdo necessário.

Isso não significa que todos esses discos sejam completamente inúteis sem internet. Em muitos casos, a versão armazenada na mídia ainda pode ser instalada e executada, embora apresente falhas ou conteúdo incompleto.

Considerando todas as plataformas avaliadas pelo projeto, 73% das versões físicas testadas funcionam sem downloads obrigatórios. O dado mostra que os discos ainda possuem valor para preservação, mesmo que nem sempre carreguem a versão definitiva dos jogos.

A discussão, portanto, não deveria se limitar à existência da mídia, mas também à qualidade e à quantidade de conteúdo armazenado nela.

Sony não pretende voltar atrás

A Sony já reconheceu a insatisfação provocada pela decisão, mas não demonstrou intenção de rever seus planos.

Durante uma apresentação de resultados financeiros, a diretora financeira Lin Tao afirmou que os jogadores possuem opiniões fortes sobre as mídias físicas, mas declarou que a empresa não espera impactos negativos em seus negócios.

A companhia trata a mudança como parte de uma digitalização mais ampla do entretenimento e acredita que a conveniência dos downloads, somada ao comportamento de compra do público, torna a transição inevitável.

O argumento de David Jaffe ajuda a explicar por que as críticas podem não ser suficientes para mudar essa estratégia. Para a Sony, manter os discos significa sustentar uma estrutura cara para menos de um quinto das vendas atuais.

Ainda assim, o fim das mídias físicas não elimina apenas um formato de distribuição. Ele reduz a concorrência entre lojas, encerra o mercado de usados para os novos lançamentos e entrega à plataforma um controle ainda maior sobre preços e acesso. Caso os discos realmente desapareçam em 2028, a cobrança dos consumidores deverá se voltar para valores digitais mais competitivos, políticas de reembolso melhores e garantias de que os jogos comprados continuarão disponíveis no futuro.

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Mustefuego

@mustefuego-Nível 48

Membro veterano do Tera Time, apaixonado por histórias sombrias e universos perturbadores. Viciado em terror e fã declarado de Resident Evil, Outlast, BioShock e Cuphead. Amante de videogames e cinema, com um fascínio especial pelo estilo caótico e criativo de Sam Raimi.

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