Don McGowan, ex-diretor jurídico geral da Bungie e uma das figuras envolvidas na aquisição do estúdio pela Sony por US$ 3,6 bilhões, comentou publicamente sua preocupação com o rumo atual da empresa. Em uma publicação recente no LinkedIn, McGowan afirmou que seus receios sobre o futuro da Bungie estão se concretizando.
Parece que o futuro da Bungie é sombrio
Segundo ele, o estúdio corre o risco de deixar de ser uma desenvolvedora com identidade própria para se tornar apenas um “braço editorial” dentro da estrutura da Sony Interactive Entertainment. A fala surge em um momento especialmente delicado para a Bungie, marcado pelo encerramento do desenvolvimento ativo de Destiny 2 e por novos relatos sobre possíveis demissões.
A Bungie confirmou recentemente que Destiny 2 receberá sua última grande atualização de conteúdo em 9 de junho. O jogo continuará disponível e jogável após essa data, mas o ciclo de expansões e grandes atualizações será encerrado. Na prática, isso marca o fim da fase mais ativa de um dos live-services mais importantes da última década.
Logo depois, uma reportagem da Bloomberg, assinada por Jason Schreier, reforçou o clima de incerteza nos bastidores. Segundo a publicação, funcionários que não forem realocados para Marathon podem ser afetados por uma nova rodada de demissões.

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Em sua publicação, McGowan não escondeu o incômodo com a situação. Ele afirmou não estar satisfeito com o que aconteceu com um dos estúdios mais conhecidos da indústria e disse que o cenário atual se aproxima justamente daquilo que ele temia: uma Bungie reduzida a uma estrutura editorial, talvez capaz de lançar jogos ocasionalmente, mas distante do papel de grande criadora de mundos que construiu sua reputação.
Apesar das críticas, o ex-executivo também reconheceu a importância cultural de Destiny 2. McGowan afirmou que, embora nunca tenha sido grande fã do jogo, por não se identificar tanto com FPS e por considerar seu lore excessivamente complexo para novos jogadores, entende o impacto que o título teve na vida de muita gente. Ele destacou que Destiny 2 acompanhou milhões de jogadores por anos, inclusive durante os lockdowns da pandemia de COVID-19, e ajudou a moldar tendências importantes dentro da indústria de games. Para McGowan, mesmo que nem todo jogo seja para todo mundo, é preciso reconhecer quando uma obra deixa uma marca real no mercado e em sua comunidade.
A parte mais sensível da mensagem veio no fim. Em tom mais profissional, McGowan afirmou esperar sinceramente que essa transição não resulte na perda de emprego de milhares de pessoas.

Desde a aquisição pela Sony, a Bungie vem enfrentando um período turbulento. Em 2023, o estúdio passou por cortes que afetaram cerca de 200 funcionários. Mais recentemente, a Sony registrou uma desvalorização de US$ 765 milhões relacionada à Bungie em seu balanço financeiro.
Com Destiny 2 encerrando seu desenvolvimento ativo e a maior parte dos esforços sendo direcionada para Marathon, o futuro do estúdio parece depender cada vez mais do sucesso desse novo projeto. Segundo a reportagem da Bloomberg, a Bungie não teria outro grande jogo em desenvolvimento no momento, e Destiny 3 não estaria nos planos imediatos.
Esse cenário aumenta a pressão sobre Marathon. Se o jogo não conseguir entregar os resultados esperados, a Bungie pode enfrentar uma fase ainda mais difícil dentro da estrutura da Sony.
No fim, a crítica de Don McGowan resume uma preocupação maior: a Bungie ainda será reconhecida como um estúdio capaz de criar mundos marcantes ou passará a funcionar apenas como mais uma peça dentro da estratégia corporativa da PlayStation? Para os fãs e para os funcionários, essa resposta pode definir o futuro da empresa nos próximos anos.

