O Stop Killing Games decidiu se afastar publicamente do CyberLeek, grupo que assumiu responsabilidade pelos recentes vazamentos envolvendo GTA 6. Apesar de algumas das reivindicações dos hackers utilizarem argumentos semelhantes aos defendidos por movimentos de preservação de videogames, a organização deixou claro que não apoia invasões, roubo de informações ou qualquer outra atividade ilegal.
O alerta veio acompanhado de um pedido direto aos jogadores: não enviem dinheiro ao CyberLeek, mesmo que concordem com algumas das críticas feitas pelo grupo à indústria.
A preocupação aumentou depois que os responsáveis pelos vazamentos começaram a aproveitar a enorme repercussão de GTA 6 para divulgar criptomoedas e solicitar contribuições financeiras.

“O uso de meios ilegais é inaceitável”
Em sua manifestação, o Stop Killing Games argumentou que recorrer a crimes digitais não contribui para melhorar os direitos dos consumidores e pode produzir justamente o efeito contrário.
“Não enviem seu dinheiro a essas pessoas, por mais simpatia que sintam pelas suas ações”, alertou a organização.
O movimento também ressaltou que vazamentos desse tipo não atingem apenas executivos ou grandes empresas. Milhares de desenvolvedores trabalharam durante anos em GTA 6 e acabam tendo partes de seu trabalho divulgadas fora do contexto e do momento escolhidos pelas próprias equipes.
Para o Stop Killing Games, transformar reivindicações legítimas sobre preservação e propriedade de jogos em justificativa para ataques digitais pode prejudicar movimentos que tentam alcançar mudanças por meios legais.
CyberLeek usa fim da mídia física como justificativa
O CyberLeek publicou um manifesto após assumir responsabilidade pelos materiais de GTA 6 que começaram a circular na internet.
Entre suas principais críticas estão a crescente dependência de distribuição digital, pré-vendas de produtos que não possuem estoque limitado e edições mais caras com conteúdos adicionais.
O grupo também demonstrou insatisfação com a ausência de uma edição tradicional em disco de GTA 6 e passou a ameaçar outras empresas que adotem práticas semelhantes.
Ao mesmo tempo, a enorme visibilidade conquistada com os vazamentos passou a ser utilizada para promover criptomoedas e divulgar formas de contribuição financeira, algo que aumentou as suspeitas sobre as verdadeiras motivações por trás das ações.
O Stop Killing Games, por sua vez, quer impedir que seu próprio discurso seja associado a esse tipo de iniciativa.
Movimento aposta justamente no caminho oposto
A diferença entre as duas abordagens é significativa.
O Stop Killing Games tenta pressionar empresas e governos através de mecanismos legais, principalmente contra situações em que jogos comprados pelos consumidores podem se tornar completamente inacessíveis depois do encerramento de servidores.
A iniciativa já levou suas reivindicações a instituições políticas, incluindo o Parlamento Europeu, e busca mudanças nas regras de proteção ao consumidor em diferentes países.
É justamente esse trabalho que seus responsáveis temem ver prejudicado caso ataques cibernéticos passem a ser associados à mesma discussão.
Take-Two continua removendo os vazamentos
Enquanto isso, a Take-Two segue tentando retirar da internet vídeos e imagens atribuídos à versão ainda em desenvolvimento de GTA 6.
Diversas publicações foram atingidas por reivindicações de direitos autorais e desapareceram de redes sociais e outras plataformas.
Essas remoções, porém, não devem ser tratadas isoladamente como confirmação da autenticidade de todos os materiais publicados. Nem a Rockstar Games nem a Take-Two detalharam publicamente quais arquivos são legítimos, e conteúdos falsos ou modificados podem circular junto aos supostos vazamentos verdadeiros.
O CyberLeek afirma possuir ainda mais vídeos de GTA 6 e promete continuar publicando materiais. O Stop Killing Games, por outro lado, tenta deixar uma mensagem igualmente clara aos jogadores: concordar com uma reivindicação não significa precisar apoiar os métodos utilizados para defendê-la.

