Daniel Vávra, diretor de Kingdom Come: Deliverance 2, foi às redes sociais para rebater críticas e explicar por que o romance gay do jogo foi pensado do jeito que foi. A discussão ganhou força depois que o título acumulou elogios ao longo de 2025 e entrou 2026 com duas indicações no Gayming Awards 2026. No evento, o jogo concorre como “Jogo Favorito”, enquanto Hans Capon disputa o prêmio de “Melhor Personagem LGBTQ+”.
Com a notícia, Vávra se pronunciou no X. E, pelo visto, ele estava com orgulho na medida certa, mas também com vontade de deixar claro uma coisa: segundo ele, o relacionamento não foi construído com aquele clima de “woke” que muita gente usa como palavrão genérico para qualquer representação mais direta.
Diferente do primeiro jogo, a sequência abre espaço para o jogador desenvolver um romance entre Henry e Hans Capon. Se a pessoa optar por esse caminho, os dois personagens tentam lidar com o que sentem seguindo as tradições cavaleirescas da Idade Média. Para Vávra, é justamente essa atenção ao contexto histórico e à forma como as situações são conduzidas que fez o jogo ser reconhecido na premiação voltada ao público LGBT.

Na publicação, Vávra começou celebrando a conquista: ele disse que estava “realmente orgulhoso” do relacionamento entre Hans e Henry. Só que ele não parou aí. A mensagem virou uma defesa completa do projeto.
Segundo ele, a ideia era que o romance fosse “feito do jeito certo”. “Eu absolutamente defendo o fato de que a forma como fizemos é exatamente como algo assim deveria ser feito”, escreveu. “De forma não coercitiva, natural e educacional, porque mostramos como as coisas realmente eram na Idade Média, sem idealizá-las.”
Na sequência, veio o argumento que ele quis martelar com força: nada de imposição. “Sem enfiar nada goela abaixo de ninguém ou tentar reeducar as pessoas, como tantos títulos que são corretamente chamados de ‘woke’ nos dias de hoje. Tornamos a comunidade gay feliz e demos a ela a ESCOLHA de ser ela mesma, assim como fizemos com outros jogadores em outras escolhas e quests, e quem não tiver interesse provavelmente nem percebeu.”
Por fim, Vávra ainda assumiu a responsabilidade pela decisão, mas com a ressalva típica de quem critica e, ao mesmo tempo, acha a própria crítica bem fundamentada. Ele disse que “foi minha ideia, minha decisão e minha responsabilidade, e eu tive que convencer outros a fazê-lo”.

