O fim da mídia física no PlayStation pode ter assustado parte dos jogadores, mas Shawn Layden não trata a decisão como algo inesperado. Para o ex-chefe da PlayStation, a escolha da Sony parece menos uma ruptura repentina e mais o resultado de uma conta que vinha sendo feita há anos.
Layden, que deixou a empresa em 2019, disse à Eurogamer que não está mais dentro da Sony para saber exatamente como a decisão foi tomada. Ainda assim, avaliou que abandonar os discos provavelmente passou por uma lógica simples: comparar o custo de manter o formato físico com o peso real das vendas digitais no negócio atual.

Os dados da Sony deixam claro que a mídia física já não tem o mesmo peso
Segundo Layden, decisões desse tipo costumam nascer de uma pergunta fria: quanto ainda vale manter um produto, recurso ou modelo quando a maior parte da receita já vem de outro lugar?
O ex-executivo lembrou que viu o digital nascer do zero, crescer para cerca de 10% e, com o tempo, se tornar dominante. Para ele, a conversa sobre abandonar discos sempre existiu, mas dependia de uma condição básica: internet boa o suficiente para atender a maioria dos consumidores.
Esse ponto, na visão dele, agora parece ter sido alcançado. Layden citou um cenário em que o digital representa cerca de 80% das oportunidades e até 95% da receita, deixando o físico com pouco peso para justificar a estrutura necessária de produção, distribuição e varejo.
Uma decisão difícil de reverter
A Sony confirmou que deixará de produzir discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. A empresa justificou a mudança pela preferência crescente do público por mídia digital, que já supera de forma significativa as vendas em disco.
Para Layden, esse tipo de virada não acontece por impulso. Se o físico virou uma fatia pequena demais do negócio, manter fábricas, logística e processos dedicados a esse formato passa a ser difícil de defender internamente.
O problema é que a matemática corporativa não encerra a discussão para o consumidor. O fim dos discos atinge colecionadores, mercados de usados, preservação, empréstimos e jogadores com internet limitada. É justamente aí que a decisão deixa de ser apenas financeira e vira um debate sobre propriedade.

O adeus aos discos já parecia inevitável
A fala de Layden ajuda a colocar a mudança em perspectiva. A Sony não está apenas reagindo ao momento atual; está formalizando uma tendência construída ao longo de duas décadas.
O disco físico ainda tem valor cultural, emocional e prático para muitos jogadores. Mas, para uma empresa olhando a própria receita, ele aparentemente deixou de ter peso suficiente.
No fim, a leitura de Layden é dura, mas clara: o PlayStation não está abandonando os discos porque eles perderam todo o sentido para o público. Está fazendo isso porque, dentro da planilha, eles deixaram de valer o esforço.