A Steam Machine chegou cercada de expectativa, mas não convenceu totalmente Shuhei Yoshida, ex-presidente da SIE Worldwide Studios e antigo chefe da área de indies da PlayStation. Depois de passar algumas horas com o novo hardware da Valve, Yoshida publicou suas primeiras impressões e deixou claro que a experiência ficou abaixo do que ele esperava.
Desempenho não empolgou
O ponto que mais incomodou Yoshida foi a performance. Segundo ele, o desempenho em jogos 3D é simplesmente “meh”, uma forma direta de dizer que o resultado ficou apenas mediano.
A recomendação padrão do sistema também chamou atenção. Yoshida estranhou o fato de a Steam Machine sugerir 1080p como configuração padrão e questionou se estava “voltando aos dias de PS4”. A crítica pesa justamente porque o produto chega com a promessa de levar a biblioteca da Steam para a sala de estar, mas ainda parece exigir concessões técnicas importantes.
Carregamentos e controle também incomodaram
Yoshida também reclamou do tempo de carregamento de alguns jogos, dizendo que certos títulos demoram demais para iniciar. Além disso, apontou ressalvas ao novo Steam Controller, especialmente nos analógicos, que pareceram mais soltos do que ele gostaria, e nos touch pads, descritos como úteis, mas sensíveis demais e difíceis de usar com precisão.
Ou seja, a crítica não ficou restrita à potência bruta. Para ele, a experiência geral ainda precisa de ajustes para parecer mais consistente e natural.
Interface e design receberam elogios
Apesar das críticas, Yoshida não detonou a Steam Machine por completo. Ele elogiou a interface do SteamOS, considerada fácil de usar, e destacou como ponto positivo a possibilidade de ligar o sistema diretamente pelo Steam Controller.
O ex-executivo também gostou das faceplates trocáveis, dos vídeos aleatórios de inicialização e, principalmente, do formato compacto e silencioso do aparelho. Em uma publicação complementar, ele afirmou que o tamanho reduzido e o baixo nível de ruído são pontos muito bons do produto.

Preço é o maior problema
Mesmo reconhecendo qualidades no aparelho, Yoshida foi duro ao falar do preço. Segundo ele, a Steam Machine é difícil de recomendar para outras pessoas no valor atual, a menos que seja para fins de pesquisa ou análise.
Essa talvez seja a crítica mais pesada. A Steam Machine não precisa apenas funcionar; ela precisa justificar seu custo diante de consoles tradicionais, PCs gamers compactos e até alternativas como o Steam Deck. E, pelas primeiras impressões de Yoshida, esse ainda parece ser o maior obstáculo.
Uma boa ideia que ainda precisa convencer
No fim, Yoshida reconhece que a Steam Machine cumpre uma função importante: permitir que ele jogue títulos do Steam na TV da sala. Para ele, isso já é motivo suficiente para manter o aparelho.
Mas o tom geral das impressões é claro. A Steam Machine tem boas ideias, uma interface agradável e um formato interessante, mas ainda precisa provar que entrega desempenho e valor suficientes para conquistar o público além dos entusiastas.
Por enquanto, a conclusão de Yoshida soa como um alerta para a Valve: levar o Steam para a sala é uma proposta forte, mas não basta se o jogador sentir que está pagando caro por uma experiência apenas “ok”.