Shigeru Miyamoto defendeu a estratégia da Nintendo de recuperar jogos antigos e afirmou que os remakes cumprem uma função que vai além da nostalgia. Segundo o criador de Mario, parte considerável do público deixa de jogar determinados títulos poucos anos depois do lançamento, enquanto as novas gerações nem sempre conseguem ter contato com essas obras.
Algumas pessoas podem dizer que existem muitos remakes, mas, depois de cinco anos, muita gente supera os jogos e para de jogá-los, declarou Miyamoto em entrevista à revista Famitsu.
A Nintendo já possui novas versões de The Legend of Zelda: Ocarina of Time e Star Fox entre os projetos previstos em seu calendário. Para Miyamoto, atualizar esses clássicos permite que eles continuem acessíveis mesmo após mudanças de geração, hardware e hábitos de consumo.

Remakes também servem para alcançar novos jogadores
O executivo destacou que muitos jogadores mais jovens nunca tiveram a oportunidade de conhecer títulos lançados há uma década ou mais.
Os jovens de hoje não têm a oportunidade de jogar games de dez anos atrás. Refazê-los para que sejam mais jogáveis e lançá-los novamente é uma boa maneira de atender à demanda, afirmou.
A estratégia permite modernizar aspectos que podem afastar novos públicos, como controles, interface, desempenho e apresentação visual, sem abandonar a identidade dos jogos originais.
Ex-funcionários temem que Nintendo deixe inovação de lado
A quantidade de remakes planejados pela empresa já provocou críticas de antigos integrantes da Nintendo. Kit Ellis e Krysta Yang, que ocuparam cargos de liderança na área de marketing, demonstraram frustração com a crescente dependência de jogos conhecidos.
Em um vídeo publicado no YouTube, Yang afirmou que seria “muito triste” ver a Nintendo abandonar sua tradição de inovação por medo de assumir riscos.
A preocupação é que projetos comercialmente seguros passem a ocupar o espaço de experiências inéditas, especialmente em uma empresa reconhecida historicamente por criar novas formas de jogar.
Miyamoto diz que olhar para o passado pode ajudar o futuro
Miyamoto, no entanto, rejeitou a ideia de que a estratégia tenha como único objetivo explorar a nostalgia dos fãs. Segundo ele, reapresentar títulos clássicos também pode fortalecer franquias antigas e abrir caminho para novos projetos.
Fazer com que as pessoas conheçam os jogos originais também leva a desenvolvimentos futuros. Por isso, temos perseguido isso ativamente nos últimos tempos, explicou.
Para a Nintendo, portanto, os remakes funcionam tanto como uma forma de preservar jogos importantes quanto como uma oportunidade de apresentar essas franquias a um público que não viveu seus lançamentos originais. O desafio será manter esse resgate do passado sem reduzir o espaço dedicado às ideias inéditas que ajudaram a construir a identidade da empresa.