A mídia física ocupa uma parcela cada vez menor nos resultados da Capcom. No primeiro trimestre do atual ano fiscal, 93,3% de todos os jogos vendidos pela companhia foram comercializados digitalmente, enquanto as cópias em disco representaram somente 6,7% do total.
O levantamento considera tanto os lançamentos recentes quanto os títulos mais antigos do catálogo. O resultado mostra que a preferência pelo digital já se consolidou em praticamente toda a operação da publicadora, independentemente da idade ou do tamanho de cada jogo.
PC responde sozinho por mais de 60% das vendas
O PC foi a principal plataforma da Capcom durante o trimestre, concentrando 60,4% de todas as unidades comercializadas. As versões digitais para consoles ficaram com outros 32,9%, completando a participação de 93,3% do formato digital.
Na prática, seis em cada dez jogos vendidos pela empresa foram adquiridos no computador. O desempenho reforça a importância de plataformas como a Steam para a estratégia comercial da Capcom, especialmente na manutenção de jogos antigos por meio de promoções frequentes.
Esse modelo permite que títulos de franquias como Resident Evil, Monster Hunter, Devil May Cry e Street Fighter continuem alcançando novos consumidores anos após seus respectivos lançamentos.

Discos ainda vendem, mas perderam protagonismo
Os números não significam que a mídia física tenha deixado de existir. Os discos ainda atendem a jogadores interessados em colecionismo, empréstimo, revenda e preservação, mas passaram a representar uma fatia pequena diante do volume movimentado pelas lojas digitais.
Para as empresas, o formato digital também reduz custos relacionados à fabricação, ao transporte e à distribuição de cópias. Além disso, facilita a realização de promoções globais e mantém o catálogo disponível sem depender da reposição de estoque nas lojas.
Dados reforçam debate sobre o futuro da mídia física
O resultado da Capcom surge em meio à discussão provocada pela decisão da Sony de encerrar a fabricação de discos para o PlayStation em 2028. A medida gerou preocupação entre jogadores que defendem a posse das cópias, a preservação dos jogos e a possibilidade de revenda.
Apesar da resistência de parte do público, os dados ajudam a explicar por que as grandes companhias continuam ampliando seus investimentos nas lojas digitais. Quando menos de 7% das vendas de uma publicadora como a Capcom dependem de discos, manter o formato físico como prioridade comercial se torna cada vez mais difícil.
A mídia física ainda conserva importância para uma parcela fiel dos jogadores, mas o balanço da Capcom mostra que ela já deixou de ocupar o centro do mercado. Para a empresa, a transição para o digital não é mais uma previsão distante: ela já aconteceu.