Hideo Kojima encontrou algo familiar em A Última Casa. Após assistir ao novo terror da Netflix estrelado por Wagner Moura, o criador de Death Stranding afirmou que alguns elementos do longa lembraram seu próprio jogo, especialmente a forma como a história trabalha isolamento e solidão.
Isolamento? Solidão? Havia partes que pareciam um pouco com Death Stranding, escreveu Kojima ao comentar o filme nas redes sociais.
A comparação não envolve necessariamente estrutura, personagens ou estética, mas toca justamente em dois temas que ocupam posição central na obra do desenvolvedor japonês.
Uma família isolada enquanto o mundo entra em colapso
Dirigido por Louis Leterrier, de Truque de Mestre e Velozes & Furiosos 10, A Última Casa acompanha uma família que repentinamente se vê impossibilitada de deixar sua própria residência enquanto um fenômeno misterioso transforma o mundo ao redor.
Sem entender exatamente o que está acontecendo e com recursos cada vez mais limitados, os personagens precisam sobreviver ao confinamento enquanto tentam descobrir o que os mantém presos.
Além de Wagner Moura, o elenco reúne Greta Lee, Arden Cho e Noah Alexander Sosnowski.
É justamente essa combinação de isolamento físico, ameaça externa e personagens tentando sobreviver em um mundo que deixou de funcionar normalmente que aparentemente chamou a atenção de Kojima.
Por que Kojima lembrou de Death Stranding
Em Death Stranding, lançado originalmente em 2019, a humanidade também vive fragmentada após um evento catastrófico.
Comunidades permanecem isoladas umas das outras enquanto Sam Porter Bridges atravessa um território hostil para entregar suprimentos e restabelecer conexões entre diferentes pontos do país.
A solidão não funciona apenas como pano de fundo: ela faz parte da própria estrutura do jogo. Grandes períodos são passados praticamente sem companhia, enquanto o objetivo central envolve reconstruir relações entre pessoas que foram separadas.
A Última Casa trabalha esse conceito de maneira muito diferente, concentrando sua história em um único núcleo familiar, mas o sentimento de confinamento diante de uma ameaça incompreensível foi suficiente para Kojima enxergar uma aproximação entre as duas obras.
Comparação curiosa surge em meio a uma recepção complicada
O comentário do desenvolvedor também chama atenção porque o novo filme de Wagner Moura não vem encontrando o mesmo entusiasmo entre crítica e público.
Segundo os números apresentados pelo Rotten Tomatoes, A Última Casa registra 27% de aprovação entre críticos e 28% entre espectadores.
As atuações de Wagner Moura e Greta Lee aparecem entre os aspectos mais elogiados, enquanto boa parte das críticas se concentra no roteiro.
Entre os problemas apontados estão personagens pouco desenvolvidos, repetição das situações de tensão e uma dificuldade em equilibrar drama familiar, ficção científica, sobrevivência e terror.
O terceiro ato também vem sendo citado como um dos pontos mais controversos, principalmente pela maneira como determinadas respostas e reviravoltas são apresentadas.
A Última Casa está disponível na Netflix desde 7 de agosto. E, mesmo que o longa esteja longe de conquistar unanimidade, conseguiu ao menos algo incomum: fazer Hideo Kojima olhar para uma história sobre uma família presa dentro de casa e pensar em Death Stranding.

