A Activision finalmente levou Call of Duty: Black Ops e Black Ops II ao PS4 e ao PS5, mas entregou apenas o mínimo necessário para colocar os dois clássicos nas plataformas atuais. Cada jogo custa R$ 174,90 (ou R$ 87,45 durante a promoção temporária para assinantes do PlayStation Plus), mesmo sem oferecer resolução 4K, modo a 120 fps ou melhorias técnicas realmente relevantes em relação às versões originais.
Também não existe um pacote completo. O passe de temporada continua sendo vendido separadamente por R$164,90 ( ou R$ 54,41 durante a promoção temporária para assinantes do PlayStation Plus), obrigando o jogador a pagar novamente pelos mapas adicionais lançados originalmente há mais de uma década.

PS5 recebe 1080p sem grandes melhorias
A análise inicial da Digital Foundry aponta que os novos ports rodam a 1080p e 60 quadros por segundo no PS4 e no PS5. Isso significa que a versão nativa para o console mais poderoso da Sony não oferece resolução 4K nem um modo de desempenho a 120 fps.
O primeiro Black Ops também mantém problemas visuais herdados da geração do PlayStation 3 e do Xbox 360. A versão não possui anti-aliasing adequado, preserva sombras de baixa qualidade e não aproveita a potência adicional do PS5 para modernizar a apresentação.
Segundo a Digital Foundry, o resultado transmite a impressão de que pouco tempo, poucos recursos e pouca atenção técnica foram destinados ao projeto. Para um jogo de 2010 vendido novamente por R$ 174,90, a ausência de melhorias mais profundas chama ainda mais atenção.
As versões também não contam com ajustes modernos considerados comuns em jogos de tiro, como controle do campo de visão e suporte a 120 fps. Na prática, são adaptações diretas dos títulos antigos, e não remasterizações.
O conteúdo antigo não entrou no pacote e segue vendido à parte
A decisão de cobrar novamente pelo passe de temporada é um dos pontos mais criticados dos relançamentos. Os mapas adicionais não foram incorporados às versões básicas, apesar de terem sido lançados originalmente entre 2011 e 2013.
Além de aumentar o preço total, a venda separada dos DLCs pode dividir a comunidade do multiplayer. Jogadores que possuem os mapas adicionais não conseguem participar de determinadas partidas com quem comprou apenas o jogo básico.
No caso de Black Ops II, o passe reúne os pacotes Revolution, Uprising, Vengeance e Apocalypse, além de Nuketown Zombies. Mesmo se tratando de conteúdos com mais de uma década, o preço normal continua em R$164,90.
As versões de Xbox seguem limitadas à retrocompatibilidade
No Xbox One e no Xbox Series X|S, os dois jogos permanecem disponíveis por meio da retrocompatibilidade com o Xbox 360. Quem já possui os títulos não precisa comprá-los novamente, mas também não recebeu versões nativas ou atualizações técnicas relevantes.
Segundo a comparação da Digital Foundry, o primeiro Black Ops roda a aproximadamente 608p no Xbox, abaixo dos 1080p entregues pelos novos ports do PlayStation. A versão retrocompatível também apresenta sombras de resolução inferior e uma imagem mais escura.
Isso cria uma situação estranha. O PS5 recebeu uma versão nativa tecnicamente superior à disponível no Xbox, mas ainda muito abaixo do que o hardware atual poderia entregar. Já os consoles da Microsoft continuam executando praticamente as mesmas versões lançadas para Xbox 360.

Limitação para proteger o Xbox é apenas uma hipótese
A Digital Foundry levantou a possibilidade de que a Microsoft não quisesse lançar no PlayStation uma versão muito superior à disponível em seus próprios consoles. A empresa é dona da Activision desde a aquisição da Activision Blizzard.
Não existe, porém, qualquer evidência de que essa tenha sido a razão para limitar os ports a 1080p. A própria análise apresenta a ideia apenas como uma possibilidade e argumenta que, nesse caso, a solução mais lógica seria melhorar também as versões de Xbox.
A explicação mais simples continua sendo a falta de investimento. Em vez de produzir remasterizações completas para todas as plataformas, a Activision lançou ports básicos no PlayStation e manteve as versões antigas no Xbox.
Vendido como atual, tratado como coisa do passado
O retorno de Black Ops e Black Ops II era aguardado pelos jogadores do PlayStation, que não podiam acessar os títulos nativamente no PS4 ou no PS5. O problema não está na existência dos ports, mas na forma como foram comercializados.
A Activision cobra preço de lançamento completo pelos dois jogos e ainda separa os conteúdos adicionais, mas não oferece melhorias compatíveis com uma versão nativa de PS5.
Os clássicos finalmente estão disponíveis nos consoles atuais da Sony. Tecnicamente, porém, chegaram com resolução de geração passada, recursos básicos e um preço muito mais moderno do que o trabalho realizado.



