Duas décadas após o lançamento, Bully ainda ocupa uma posição única entre os jogos de mundo aberto. Para Dan Houser, cofundador da Rockstar Games e um dos responsáveis pelo projeto, nenhum outro título conseguiu reproduzir a mesma combinação de cenário, tom e liberdade.
Durante uma entrevista concedida na San Diego Comic-Con, Houser elogiou o trabalho da equipe e afirmou que o jogo continua diferente de qualquer outra produção disponível no mercado.

Um mundo aberto longe dos padrões da Rockstar
Lançado em 2006, Bully trocou as grandes cidades e organizações criminosas de GTA pelos corredores da Bullworth Academy, um internato fictício localizado na Nova Inglaterra.
O jogador assumia o controle de Jimmy Hopkins, um adolescente sem poderes ou destino grandioso, que precisava lidar com professores, monitores e diferentes grupos de estudantes enquanto tentava encontrar seu lugar dentro da escola.
Para Houser, justamente essa mudança de ambiente permitiu que o jogo utilizasse mecânicas conhecidas de uma maneira completamente diferente. A estrutura permanecia familiar, mas o cotidiano escolar dava identidade própria às missões, conflitos e atividades.
Personagem comum ajudou a construir sua identidade
Em vez de colocar o jogador no papel de um criminoso poderoso ou de um herói épico, Bully apostou em um protagonista comum. Jimmy participava de brigas, cumpria favores, fugia dos monitores, frequentava aulas e se envolvia com outros estudantes.
Essa escala menor ajudou o jogo a se destacar entre as grandes produções de mundo aberto da época. Segundo Houser, o público costuma buscar experiências familiares apresentadas por meio de cenários e tons diferentes, algo que Bully conseguiu entregar com eficiência.
O cofundador da Rockstar também destacou a direção de arte de Steven Olds, a trilha sonora, o elenco de personagens e a ambientação como elementos fundamentais para o resultado final.
Polêmica começou antes mesmo do lançamento
Bully enfrentou críticas antes de chegar às lojas. O nome do jogo levou pais e grupos de pressão a acusarem a Rockstar de incentivar comportamentos agressivos entre estudantes.
Na prática, porém, a narrativa apresentava Jimmy enfrentando abusos, grupos violentos e figuras autoritárias dentro da escola. A produção acabou funcionando mais como uma crítica ao bullying do que como uma celebração desse comportamento.
A controvérsia não impediu o sucesso do título, que construiu uma comunidade dedicada e permaneceu relevante mesmo sem receber uma continuação.
Um jogo que a própria Rockstar nunca repetiu
Embora a empresa tenha expandido franquias como GTA e Red Dead Redemption, Bully nunca ganhou um sucessor. Projetos relacionados a uma possível continuação chegaram a ser mencionados ao longo dos anos, mas nenhum novo capítulo foi oficialmente lançado.
Para Houser, o legado permanece ligado à integridade com que aquele mundo foi construído. Bully não tentou reproduzir o tamanho de outros jogos da Rockstar. Em vez disso, utilizou uma escola, um protagonista adolescente e conflitos cotidianos para criar uma experiência que ainda não encontrou equivalente 20 anos depois.

