Mafia e Grand Theft Auto são comparados há mais de duas décadas, mas dentro da Hangar 13 essa suposta rivalidade praticamente não existe. Nick Baynes, presidente do estúdio, afirmou que GTA não serve como referência para definir a direção da franquia e classificou a associação entre as duas séries como algo alimentado principalmente pela internet.
Ao falar sobre o assunto em uma retrospectiva de Mafia publicada pelo IGN, Baynes garantiu que a equipe trabalha seguindo seus próprios objetivos e que o concorrente da Rockstar sequer costuma aparecer nas discussões internas.
“Temos nosso próprio caminho. Isso nunca aparece nas conversas como ponto de referência, para orientar nossa estratégia ou qualquer coisa assim”, explicou.
Para o executivo, a insistência em colocar as duas franquias frente a frente vem muito mais do público do que dos próprios desenvolvedores.

Mafia e GTA já foram muito mais parecidos
A comparação não surgiu por acaso.
O primeiro Mafia foi lançado em 2002, apenas um ano depois de Grand Theft Auto 3, em uma época em que ambos apresentavam cidades abertas, veículos, tiroteios e histórias ligadas ao crime organizado.
Com o passar dos anos, porém, as duas séries tomaram caminhos cada vez mais diferentes.
Enquanto GTA ampliou sua aposta em grandes mundos abertos repletos de atividades e liberdade para o jogador, Mafia passou a enfatizar campanhas mais lineares, fortemente guiadas por narrativa e ambientação histórica.
Alex Cox, diretor de Mafia: The Old Country, já havia destacado essa separação anteriormente. Segundo ele, as duas franquias compartilhavam mais semelhanças mecânicas no início dos anos 2000, mas hoje possuem propostas fundamentalmente distintas.
Hangar 13 não quer competir com a Rockstar
Essa diferença ficou ainda mais evidente em The Old Country.
Em vez de tentar responder à escala gigantesca de um projeto como GTA 6, a Hangar 13 optou por uma experiência mais concentrada, com campanha linear e preço de lançamento de US$ 50.
A proposta contrasta diretamente com a estrutura de GTA, que tradicionalmente aposta em grandes mapas, enorme liberdade de exploração e experiências projetadas para manter comunidades ativas durante anos.
Para a Hangar 13, tentar competir nesse terreno simplesmente não faz parte dos planos.
Mafia busca se apoiar em dramas criminais mais sérios, personagens específicos e histórias com começo, meio e fim, mantendo uma identidade que se aproxima mais do cinema de máfia do que da sátira social característica da Rockstar.
GTA 6 reacendeu uma comparação que o estúdio tenta evitar
O assunto voltou a ganhar força recentemente porque, durante algum tempo, Mafia: The Old Country poderia acabar chegando ao mercado relativamente próximo de GTA 6.
A possibilidade naturalmente reacendeu discussões nas redes sociais sobre uma suposta disputa entre as duas franquias.
O adiamento do jogo da Rockstar acabou afastando os lançamentos, mas a discussão permaneceu.
Baynes, no entanto, sequer demonstrou interesse em alimentar essa narrativa. Ao mencionar o próximo grande lançamento do gênero, evitou até citar GTA 6 diretamente e reforçou que a Hangar 13 não acompanha o projeto como parâmetro para suas próprias decisões.
Mafia deve continuar seguindo seu próprio caminho
A estratégia parece ter funcionado para a franquia.
A Take-Two já demonstrou satisfação com o desempenho de The Old Country, e Strauss Zelnick indicou que o jogo superou expectativas internas. A tendência, portanto, é que Mafia continue recebendo novos capítulos sem abandonar a fórmula mais focada que passou a definir a série.
Depois de mais de 20 anos sendo comparada a GTA, a mensagem da Hangar 13 é simples: a rivalidade pode existir nas redes sociais, mas não dentro do estúdio.

