A decisão da Sony de encerrar a produção de discos para novos jogos do PlayStation a partir de 2028 segue provocando forte reação entre jogadores, mas Shuhei Yoshida não compartilha da mesma preocupação.
O ex-presidente da Sony Interactive Entertainment afirmou que não considera o fim da mídia física um problema tão grande quanto parte da comunidade sugere. Em entrevista ao GamerBraves, Yoshida explicou que sua visão parte principalmente de uma mudança que já aconteceu na forma como os jogos são distribuídos: mesmo quem compra em disco frequentemente precisa baixar atualizações, patches e conteúdos adicionais.
“Quem escolhe comprar uma versão física ainda precisará baixar novos patches, DLC ou atualizações. Então, não ter um disco, não é um problema tão grande”, afirmou.
Yoshida deixou a Sony no início de 2025 e também revelou que não sabia previamente dos planos da companhia para abandonar os discos.

Yoshida já abandonou a mídia física
A posição do ex-executivo também reflete seus próprios hábitos como consumidor.
Yoshida afirmou que atualmente compra apenas jogos digitais e prefere ter toda a biblioteca disponível diretamente no console, sem precisar armazenar ou trocar discos.
“Não quero gerenciar discos ou trocar discos. Quero todos os meus jogos no meu dashboard e simplesmente selecionar e jogar”, explicou.
Para ele, essa conveniência tornou o formato digital mais atraente ao longo dos últimos anos.
O problema é que nem todos os jogadores enxergam o disco apenas como uma maneira menos prática de iniciar um jogo.
Dados contradizem ideia de que discos já dependem sempre de downloads
Um dos principais argumentos de Yoshida é que jogos físicos frequentemente dependem de conteúdo baixado posteriormente.
Os dados da comunidade DoesItPlay, porém, mostram um cenário mais complexo.
Entre 3.527 jogos físicos analisados, aproximadamente 73% funcionam sem necessidade de qualquer download adicional. Apenas cerca de 10% entram na categoria mais crítica, formada por títulos que possuem conteúdo essencial ausente do disco ou problemas graves sem uma atualização.
Isso significa que patches e conteúdos adicionais realmente se tornaram comuns, mas a maioria dos jogos testados ainda preserva uma versão funcional diretamente na mídia.
A diferença é importante principalmente para jogadores preocupados com preservação, acesso offline ou eventual encerramento de servidores e lojas digitais.
Mercado de usados é onde Yoshida vê um problema real
O próprio Yoshida reconheceu que existe uma consequência mais difícil de ignorar: a compra e venda de jogos usados.
Sem mídia física, consumidores deixam de poder revender títulos depois de terminá-los, emprestar jogos para outras pessoas ou adquirir cópias de segunda mão por preços que muitas vezes ficam muito abaixo dos valores praticados nas lojas digitais.
“Para quem opta por comprar ou vender jogos, a falta de discos pode se tornar um problema”, admitiu.
Para jogadores que não conseguem pagar o preço cheio, Yoshida acredita que promoções digitais continuarão funcionando como alternativa.
Segundo ele, publishers e plataformas deverão manter descontos capazes de tornar lançamentos mais acessíveis algum tempo depois da estreia.
Essa solução, porém, não reproduz completamente a dinâmica do mercado físico, onde lojas e consumidores independentes também influenciam diretamente os preços.
Colecionadores também perdem parte do que compravam
Outro grupo afetado será o de colecionadores.
Yoshida reconheceu que seria “uma pena” perder jogos físicos como objetos de coleção, mas acredita que edições especiais ainda poderão existir mesmo sem discos.
Uma possibilidade seria manter caixas, itens colecionáveis e outros produtos acompanhados apenas por um código digital, modelo que já começa a aparecer em determinados lançamentos.
Isso preservaria parte do apelo visual e físico das edições especiais, mas não resolveria a principal crítica de quem deseja possuir efetivamente uma cópia jogável em disco.
Sony não espera impacto financeiro
Enquanto parte do público protesta, a Sony demonstra pouca preocupação com possíveis efeitos comerciais.
A diretora financeira Lin Tao afirmou recentemente que a empresa não espera impacto negativo significativo nos negócios provocado pela mudança, embora reconheça que existem opiniões fortes contrárias à decisão.
A reação dos jogadores, entretanto, continua aparecendo em diferentes canais oficiais da PlayStation.
Comentários como “sem disco, sem compra” têm surgido em vídeos e apresentações recentes, incluindo conteúdos relacionados a Phantom Blade Zero.
O contraste deixa clara a divisão em torno do tema: para Yoshida e para a própria Sony, a transição digital parece ser uma evolução natural do mercado. Para parte dos consumidores, porém, o disco ainda representa muito mais do que simplesmente uma maneira de instalar um jogo.