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Funcionários da EA temem interferência dos novos donos e possível autocensura nos jogos

4 min de leiturapor Mustefuego
Atualizado por último em: 19 de agosto de 2026 às 19:54 BRT
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A mudança de controle da Electronic Arts está provocando preocupação dentro da própria empresa. Funcionários ouvidos anonimamente pelo Game Developer afirmam temer que a nova estrutura de propriedade, liderada pelo fundo soberano da Arábia Saudita, passe a influenciar quais projetos e conteúdos poderão receber aprovação nos próximos anos.

O receio não é necessariamente de uma intervenção direta nos estúdios. Entre os profissionais, a principal preocupação é mais sutil: desenvolvedores e executivos poderiam começar a evitar determinados temas por anteciparem aquilo que os novos proprietários aceitariam ou rejeitariam.

A discussão ganhou força após a conclusão da aquisição da EA por aproximadamente US$ 55 bilhões, operação que retirou a companhia da bolsa. O grupo comprador tem como principal participante o Public Investment Fund (PIF), fundo soberano saudita, além da Silver Lake e da Affinity Partners, empresa fundada por Jared Kushner.

Funcionários da EA temem interferência dos novos donos e possível autocensura nos jogos

Funcionários temem que projetos sejam filtrados antes mesmo da aprovação

Um dos profissionais entrevistados descreveu um cenário no qual não seria necessário que representantes sauditas determinassem explicitamente quais conteúdos deveriam desaparecer dos jogos.

A preocupação é que a própria EA passe a adaptar suas decisões para evitar possíveis conflitos com seus controladores.

Segundo o funcionário, determinados projetos poderiam simplesmente deixar de ser aprovados por não estarem alinhados aos interesses dos novos proprietários, criando uma espécie de autocensura interna antes mesmo de qualquer ordem direta.

A possibilidade chama atenção especialmente porque a EA controla algumas das maiores franquias da indústria, incluindo Battlefield, Dragon Age e The Sims, cada uma com públicos e abordagens bastante diferentes.

The Sims vira principal símbolo da preocupação

Entre os jogos mencionados pelos funcionários, The Sims aparece como um dos casos mais delicados.

A franquia da Maxis construiu ao longo de décadas uma identidade baseada na liberdade oferecida ao jogador para criar personagens, relacionamentos e famílias de diferentes perfis. Por isso, profissionais da EA demonstram preocupação sobre como essa característica poderá ser tratada no futuro.

O contraste está nas leis e políticas da Arábia Saudita relacionadas à população LGBTQIAPN+, apontadas por organizações internacionais de direitos humanos como significativamente mais restritivas do que aquelas existentes em muitos dos principais mercados onde a EA atua.

Uma das fontes entrevistadas pelo Game Developer chegou a dizer que se sente “suja” trabalhando para uma companhia controlada por investidores ligados ao governo saudita.

Outro funcionário afirmou que é difícil se sentir confortável diante de uma aquisição que considera incompatível com parte dos valores defendidos internamente pela EA.

Até o momento, porém, não há indicação de que conteúdos de The Sims tenham sido removidos ou modificados por ordem dos novos proprietários. As declarações refletem os receios dos funcionários sobre o que poderá acontecer no futuro.

EA promete preservar liberdade criativa

A própria Electronic Arts já tentou responder a essas preocupações.

Quando a aquisição foi anunciada, a companhia afirmou aos funcionários que sua liberdade criativa e seus valores centrados nos jogadores permaneceriam intactos após a mudança de controle.

A Maxis também reforçou posteriormente que a direção criativa de The Sims continuaria baseada em princípios como inclusividade, escolha, criatividade, comunidade e diversão.

As garantias, entretanto, não teriam sido suficientes para tranquilizar parte das equipes.

Funcionários ouvidos na reportagem classificaram as respostas internas como insatisfatórias e disseram que ainda existem poucas garantias concretas sobre segurança no emprego e possíveis interferências criativas.

A tensão aumentou depois que, durante uma reunião com trabalhadores, um executivo da EA teria sido ouvido por um microfone aberto chamando funcionários de “bebezinhos”. O contexto exato da declaração gerou discussão interna, mas o episódio contribuiu para piorar o clima relatado pelos profissionais.

Dívida de US$ 18 bilhões aumenta temor por demissões

As preocupações criativas acontecem ao mesmo tempo em que a EA enfrenta outra consequência importante da aquisição.

A companhia assumiu aproximadamente US$ 18 bilhões em dívida como parte da operação, aumentando a expectativa interna de que uma redução significativa de custos seja necessária.

Funcionários temem que esse processo resulte em grandes rodadas de demissões, embora a extensão dos possíveis cortes ainda não esteja definida publicamente.

Assim, a preocupação dentro da EA não gira apenas em torno de quem controla a companhia, mas também sobre quanto essa mudança poderá afetar as equipes, os projetos aprovados e a liberdade dos estúdios para decidir que tipo de conteúdo colocar em seus jogos.

Por enquanto, a empresa sustenta que sua independência criativa permanecerá intacta. Entre parte dos funcionários, porém, as garantias ainda não foram suficientes para eliminar a incerteza sobre como será a EA sob sua nova estrutura de propriedade.

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Mustefuego

@mustefuego-Nível 48

Membro veterano do Tera Time, apaixonado por histórias sombrias e universos perturbadores. Viciado em terror e fã declarado de Resident Evil, Outlast, BioShock e Cuphead. Amante de videogames e cinema, com um fascínio especial pelo estilo caótico e criativo de Sam Raimi.

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