A Ubisoft está trazendo Rayman de volta “para uma nova era”, e desta vez não foi naquele esquema preguiçoso de só atualizar um pouquinho e chamar de evolução. A empresa vai lançar Rayman Legends Retold neste outono, uma reimaginação completa do Rayman Legends de 2013. O anúncio veio durante o State of Play de junho de 2026 da PlayStation.
O jogo chega em 1 de outubro para Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PC (Windows) e Xbox Series X.
Por trás do projeto estão os estúdios Ubisoft Milan e Ubisoft Montpellier, que reconstruíram Rayman Legends Retold usando o mecanismo proprietário da Ubisoft, o Snowdrop. Para quem não vive no mundo das engines, vale o destaque. Foi o mesmo motor que sustentou Star Wars Outlaws e Avatar: Frontiers of Pandora. E sim, isso aparece rápido: há uma direção de arte bem mais trabalhada em Retold, mas a transformação vai muito além de visual bonito.
Em uma demonstração prática feita antes da revelação, a Polygon jogou as duas primeiras fases do jogo e conseguiu sentir o que mudou na prática, especialmente em níveis inéditos, dublagem, trilha e no conjunto geral do que o jogo quer ser agora.

No tamanho dessa reimaginação, Rayman Legends Retold fica naquela linha entre o Crash Bandicoot N. Sane Trilogy e as revisões mais ambiciosas como Dragon Quest VII Reimagined. A base continua firme e reconhecível. Rayman segue aquele platformer maluco, pulando obstáculos, usando Murfy para cutucar inimigos e cortando cordas no tempo certo. As fases criativas continuam com a mesma pegada, e os desafios laterais que pedem habilidade para resgatar Teensies ou coletar moedas também não envelheceram um dia.
O choque mesmo fica no capricho de produção. Mesmo mantendo a cara cartunesca, os gráficos de Retold parecem mais com um filme animado em CG moderno do que com aquela estética de antes. O cenário das fases ganhou bem mais profundidade e detalhes, deixando tudo com mais “sensação de lugar”, principalmente quando você atravessa aquele tipo de ambiente com cara de pântano que Rayman sempre sabe transformar em playground. Além disso, o jogo terá cenas em 3D totalmente novas para ajudar a contar a história, iluminação mais realista e personagens agora dublados. No total, serão oito opções de idiomas. Em algumas cenas dá até para perceber detalhes como os poros no nariz do Rayman, o que é exatamente o tipo de excesso que só existe quando o projeto quer parecer mais “cinematográfico” do que “só jogo”.
Agora, vamos ser honestos. Nada disso supera o charme do original. Mas passa a impressão de que a Ubisoft está, sim, preparando Rayman para virar um herói multimídia mais mainstream.

Onde Retold realmente entrega valor é no conteúdo novo. O remake adiciona um sexto mundo para fechar a história revisada com mais cara de ápice. Serão cinco fases nesse pacote e um novo chefe final, tudo jogável em modo cooperativo para até quatro jogadores.
Além disso, o jogo traz novas fases musicais, com músicas modernas prometidas pela Ubisoft, uma versão “evoluída” do minigame Kung Foot e mais opções no modo Cave of Trials.
E se você achou que a Ubisoft só ia caprichar na história, espere até ver o que chamam de Dragon Rides. Nessa novidade, que aparece no fim de cada mundo, Rayman monta nas costas de um dragão e voa para a próxima área. São fases em 3D cheias de espetáculo e com pegada de tiro, onde você precisa desviar de obstáculos que chegam pela frente enquanto solta bolas de fogo. É quase como uma inversão inteligente das fases tradicionais quando o assunto é coleta.
Aqui você começa com um batalhão de Teensies no dragão. Você toma dano, perde um. No fim, só ficam aqueles que conseguem chegar com você até o final.
As duas fases que a Polygon testou foram uma mudança de ritmo bem divertida e uma forma esperta de visualizar a transição entre mundos. O único ponto curioso é que mirar as bolas de fogo nos obstáculos pode dar trabalho, já que não existe mira na tela para guiar o tiro. Tirando isso, as fases encaixam de forma natural na história e fazem sentido dentro do novo estilo cinematográfico.
E tem mais uma surpresa: Rayman Legends Retold vai trazer 55 minutos de música inédita. A trilha será composta por Christophe Héral, compositor de Rayman Legends, e por Grant Kirkhope, um nome gigante por trás da música de Donkey Kong 64, Banjo-Kazooie e vários outros clássicos. Kirkhope já tinha trabalhado com a Ubisoft na série Mario + Rabbids, e agora voltou a colaborar com Héral em Sparks of Hope, incluindo o Rayman do DLC Phantom Show.

A grande pergunta é óbvia: um remake completo de um platformer de 2013 que ainda parece moderno de verdade precisava disso tudo? Talvez não. Mas é difícil negar que é legal ver a Ubisoft indo além.
Rayman Legends Retold é uma reimaginação grande, que não destrói a qualidade do platforming original. Em vez disso, ela constrói em cima do que já funcionava, com respeito e ambição. A promessa de um mundo totalmente novo anima, e os Dragon Rides são um toque original que dá vontade de esperar as próximas ideias. As melhorias em detalhes visuais e nas cutscenes talvez não fossem estritamente necessárias para um jogo do Rayman, mas servem como uma prévia do que a franquia quer se tornar.
Durante uma apresentação em vídeo, a Ubisoft deixou claro que Retold marca o começo de uma “nova era” para Rayman. E, com tudo isso, dá mesmo a sensação de que um jogo ainda maior pode estar a caminho. Se isso vai recolocar Rayman no holofote do público geral, só o tempo dirá. Mas, no mínimo, o remake oferece mais gente para voltar a jogar um platformer excelente. E convenhamos: Rayman nunca foi fraco. Só estava esperando alguém caprichar de verdade.

