Os remakes de Resident Evil ocupam uma posição central na estratégia da Capcom. Além de recuperar clássicos da franquia, esses projetos ajudam a empresa a manter um fluxo constante de lançamentos, desenvolver a experiência de suas equipes e financiar produções originais, como Pragmata.
A explicação foi dada por Masachika Kawata, produtor da série, em entrevista à revista Game Informer. Segundo ele, desenvolver anualmente um capítulo completamente inédito de Resident Evil seria uma tarefa difícil. A solução encontrada pela Capcom foi alternar novos jogos e releituras de títulos antigos.
Poder revisitar jogos antigos e refazê-los ajuda a Capcom a atingir a meta de lançar um título de Resident Evil por ano, mas também permite que a equipe se desafie continuamente e aprimore suas habilidades, afirmou.

Remakes têm o mesmo peso dos jogos inéditos
Kawata rejeitou a ideia de que os remakes sejam projetos secundários ou menos relevantes para o futuro da franquia.
Isso não quer dizer que os remakes sejam menos importantes. Na verdade, eles são tão importantes quanto os títulos principais, declarou.
O próximo lançamento desse tipo será o remake de Resident Evil: Code Veronica, previsto para 2027. Apesar da intenção de manter a franquia presente todos os anos, a sequência recente teve interrupções em 2024 e 2025.
Para a Capcom, porém, a importância dessas produções não está apenas no preenchimento do calendário. O sucesso comercial dos remakes cria uma fonte de receita que pode ser reinvestida tanto em novos capítulos de Resident Evil quanto em propriedades intelectuais inéditas.
A Capcom tem a sorte de ter encontrado esse ciclo que continua nos fornecendo os recursos financeiros para criar coisas como novos jogos da saga Resident Evil e propriedades intelectuais completamente novas como Pragmata, explicou Kawata.
Resident Evil 4 virou uma máquina de receita
O maior exemplo do potencial dessa estratégia é o remake de Resident Evil 4. O jogo arrecadou cerca de US$ 560 milhões e se tornou, segundo uma análise de mercado, o remake mais vendido da atual geração.
Ainda de acordo com o levantamento citado, o desempenho comercial foi mais de três vezes superior ao registrado por The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered e Final Fantasy VII Rebirth.
Esse resultado mostra por que os remakes deixaram de ser apenas uma forma de explorar a nostalgia. Para a Capcom, eles funcionam como grandes lançamentos capazes de ampliar o público da franquia, gerar receita e reduzir os riscos envolvidos na criação de projetos inéditos.

Anos de experiência ajudam a moldar Resident Evil Requiem
O processo também afeta diretamente a maneira como os novos jogos são desenvolvidos. A Capcom apresenta Resident Evil Requiem como resultado da experiência acumulada ao longo dos últimos anos.
O projeto combinará elementos do horror em primeira pessoa de Resident Evil 7 e Resident Evil Village com a ação em terceira pessoa e a violência mais intensa dos remakes recentes.
Dessa forma, cada releitura também funciona como um campo de testes para mecânicas, tecnologias e decisões criativas que podem aparecer novamente nos capítulos inéditos.
Estratégia pode encontrar um limite
O catálogo disponível para novos remakes, entretanto, não é infinito. A Capcom ainda pode revisitar o primeiro Resident Evil e produzir novas versões de Resident Evil 5 e Resident Evil 6, mas as opções mais evidentes estão diminuindo.
Para manter o ritmo atual no futuro, a empresa poderá precisar desenvolver vários jogos inéditos simultaneamente ou encontrar novas maneiras de explorar o catálogo da franquia.
Por enquanto, a fórmula continua funcionando: os remakes mantêm Resident Evil em evidência, financiam projetos mais arriscados e ainda ajudam a construir os próximos capítulos da série.

