Control Resonant está cada vez menos com cara de “Control 2” e mais com cara de virada ambiciosa da Remedy. Em nova entrevista, o diretor Mikael Kasurinen revelou que muitos dos chefes mais importantes do jogo serão opcionais, poderão ser enfrentados fora de ordem e ainda servirão como porta de entrada para novos poderes de Dylan Faden.
A comparação mais direta é com Mega Man: o jogador encontra grandes ameaças, escolhe quando encará-las e, ao vencê-las, absorve habilidades que podem mudar sua forma de jogar. Só que aqui o cenário não é uma sequência de fases robóticas, e sim uma Manhattan distorcida por forças paranaturais, com regiões maiores do que o esperado e uma estrutura que vai se abrindo aos poucos.

Os inimigos dão nome ao jogo
Esses inimigos são os Resonants, entidades paranaturais que Dylan Faden encontra durante a campanha. Kasurinen afirmou que muitos deles não precisam ser derrotados para avançar na história, o que coloca parte do peso da progressão nas mãos do jogador.
A recompensa, porém, parece grande demais para ignorar. Ao derrotar Resonant Entities, Dylan desbloqueia famílias de poderes, com escolhas que podem alterar bastante a construção do personagem. Em entrevista ao Tom’s Guide, Kasurinen explicou que o jogo aposta em customização profunda, habilidades sobrenaturais, artefatos, talentos e até peças de roupa combináveis para reforçar estilos diferentes de combate.
Uma sequência mais ampla, mas também mais refinada
A Remedy também está ampliando a escala. Segundo Kasurinen, as regiões de Manhattan são maiores do que muita gente imagina, embora o mundo demore um pouco para se abrir por completo. Para evitar que a exploração vire bagunça, o jogo terá um mapa com uma visão mais estratégica da cidade.
Isso combina com o que a própria Remedy já vinha dizendo: Control Resonant leva a série para uma Manhattan deformada por uma ameaça cósmica, com Dylan lutando para sobreviver e preservar a própria humanidade.
A mudança de escala também acompanha a mudança de combate. Em vez de repetir a fórmula do primeiro Control, a sequência aposta mais em ação corpo a corpo, com Dylan usando a Aberrant, uma arma metamórfica capaz de assumir formas diferentes durante as lutas.
Alan Wake estará lá, mas não do jeito que você imagina
Como todo jogo recente da Remedy, Control Resonant também carrega perguntas sobre o universo compartilhado do estúdio. A conexão com Alan Wake existe, mas Kasurinen deixou claro que ela não deve dominar a experiência.
Segundo o diretor, o jogo foi pensado para se sustentar sozinho. Quem conhece Control e Alan Wake deve encontrar camadas extras, mas a história não depende disso para funcionar. A ideia é que novos jogadores também consigam entrar nesse mundo sem precisar fazer dever de casa antes.

Outro ponto interessante é o foco narrativo. Kasurinen disse que Control Resonant não é simplesmente uma história sobre resgatar Jesse Faden ou salvar Manhattan. O centro emocional do jogo está em Dylan tentando ganhar controle sobre a própria vida.
Isso explica por que a Remedy não está tratando o projeto como uma continuação numerada tradicional. Control Resonant ainda é sequência, ainda carrega o DNA do jogo original, mas muda o ponto de vista. Jesse era a personagem que descobria o estranho. Dylan é alguém que já foi moldado por ele.
A maior surpresa vem no meio da campanha
O detalhe mais provocante ficou para o meio da história. Kasurinen prometeu que o ponto médio da campanha terá a maior surpresa do jogo, mas não explicou o que isso significa.
Naturalmente, isso já abre espaço para teoria. A mais óbvia envolve Jesse Faden, seja como presença narrativa mais forte, participação especial ou até possível mudança jogável. Por enquanto, porém, isso é apenas especulação dos fãs. A única coisa concreta é que a Remedy está guardando um grande momento para quebrar a campanha ao meio.
E esse talvez seja o melhor sinal sobre Control Resonant. A Remedy não parece interessada em entregar uma sequência confortável. Chefes opcionais, progressão fora de ordem, Manhattan expandida, combate mais agressivo e uma surpresa central indicam um jogo tentando se reinventar sem abandonar sua identidade.
Se funcionar, Control Resonant pode ser exatamente o tipo de sequência que não apenas continua uma franquia, mas obriga o público a olhar para ela de outro jeito.

