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EA nunca entendeu Dragon Age, diz ex-produtor da BioWare

4 min de leiturapor Mustefuego
Atualizado por último em: 10 de agosto de 2026 às 00:02 BRT
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A relação entre a Electronic Arts e Dragon Age teria sido marcada por um problema fundamental: a própria EA nunca compreendeu completamente o que tornava a franquia atraente para seu público. A avaliação é de Mark Darrah, veterano da BioWare e ex-produtor executivo da série.

Em entrevista ao canal RVR, Darrah afirmou que executivos da publicadora tinham muito mais facilidade para compreender comercialmente Mass Effect do que Dragon Age. Para ele, essa diferença influenciou diversas decisões tomadas em torno da franquia de fantasia ao longo dos anos.

O veterano participou de boa parte da história da BioWare, trabalhando em projetos que incluem Baldur’s Gate, vários capítulos de Dragon Age e Anthem. Sua crítica, portanto, vem de alguém que acompanhou internamente diferentes fases do estúdio sob a administração da EA.

EA nunca entendeu Dragon Age, 
diz ex-produtor da BioWare

Dragon Age parecia “nerd demais” para a EA

Segundo Darrah, o problema começava na própria forma como os jogos eram apresentados.

Para alguém pouco familiarizado com CRPGs, ele acredita que produções como os primeiros Baldur’s Gate ou Dragon Age podiam parecer difíceis de compreender comercialmente.

Mass Effect, por outro lado, tinha elementos muito mais reconhecíveis para executivos. O combate em terceira pessoa, a ficção científica cinematográfica e referências facilmente associáveis a universos como Star Wars tornavam sua proposta mais simples de explicar.

Com Dragon Age, a situação seria diferente.

A franquia apostava em sistemas de RPG mais tradicionais, decisões narrativas complexas, gerenciamento de grupo e elementos táticos que não necessariamente acompanhavam as tendências dominantes do mercado.

Na visão de Darrah, era justamente essa identidade que a EA tinha dificuldade de compreender.

EA enxergava Dragon Age como “nichado” e “antiquado”

Dragon Age: Origins começou a ser desenvolvido antes da aquisição da BioWare pela EA e chegou ao mercado em 2009.

Segundo Darrah, porém, a percepção interna que se consolidou posteriormente era de que a série precisava se modernizar.

O jogo seria visto como “nichado demais, antiquado demais e old-school demais”, levando a uma pressão constante para que a franquia se aproximasse de experiências consideradas comercialmente mais acessíveis.

Essa situação teria contribuído para aquilo que o produtor descreve como um estado permanente de transformação.

Grande parte disso vinha da pressão da EA, porque as pessoas não entendiam por que alguém iria querer comprar esse negócio hardcore e tático, explicou.

O resultado foi uma franquia que mudou significativamente de identidade entre um lançamento e outro.

Cada Dragon Age parecia tentar resolver um problema diferente

As diferenças entre os jogos ilustram esse histórico.

Origins tinha fortes raízes nos RPGs clássicos da BioWare. Dragon Age 2 acelerou o combate, reduziu drasticamente o escopo geográfico e adotou uma estrutura bastante diferente.

Dragon Age: Inquisition voltou a expandir o mundo e buscou incorporar características populares nos RPGs de grande orçamento daquela geração.

Anos depois, The Veilguard passaria por mudanças ainda mais profundas durante seu desenvolvimento.

Para Darrah, essa constante reinvenção não aconteceu apenas porque a BioWare queria experimentar novas ideias. Parte dela teria sido consequência de uma pressão corporativa para tornar Dragon Age mais fácil de compreender e comercializar.

The Veilguard mudou radicalmente durante o desenvolvimento

O desenvolvimento de Dragon Age: The Veilguard se tornou um dos exemplos mais extremos dessa instabilidade.

O projeto passou por diferentes conceitos antes de assumir sua forma definitiva. Em uma fase, seria uma experiência mais concentrada e tradicional. Posteriormente, foi transformado em um projeto com componentes multiplayer e elementos de serviço contínuo.

A BioWare acabaria abandonando essa direção e retornando ao formato predominantemente single-player que chegou ao mercado.

Embora Darrah já não estivesse no estúdio no lançamento, esse histórico combina com a crítica feita pelo veterano sobre a dificuldade da EA em estabelecer uma visão consistente para a franquia.

Futuro de Dragon Age permanece incerto

The Veilguard não alcançou as expectativas comerciais estabelecidas pela Electronic Arts, e a BioWare passou posteriormente por reduções em sua estrutura.

Desde então, o futuro de Dragon Age tornou-se incerto.

David Gaider, antigo roteirista-chefe da série, também já demonstrou pessimismo sobre a possibilidade de a franquia receber rapidamente outro grande capítulo sob a atual estrutura da EA.

Enquanto isso, a BioWare mantém suas atenções principalmente sobre o próximo Mass Effect.

Para Mark Darrah, a trajetória de Dragon Age deixa uma ironia: a EA passou anos tentando descobrir como tornar a franquia mais atraente para um público maior sem compreender completamente por que seus fãs já gostavam dela em primeiro lugar.

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Mustefuego

@mustefuego-Nível 48

Membro veterano do Tera Time, apaixonado por histórias sombrias e universos perturbadores. Viciado em terror e fã declarado de Resident Evil, Outlast, BioShock e Cuphead. Amante de videogames e cinema, com um fascínio especial pelo estilo caótico e criativo de Sam Raimi.

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