O mercado de jogos físicos nos Estados Unidos atingiu um novo fundo histórico. Em julho, as vendas de títulos em disco e cartucho movimentaram apenas US$ 85 milhões, o menor valor mensal registrado desde que a Circana começou a acompanhar o setor, em 1995.
Os números mostram o tamanho da transformação que ocorreu na indústria durante as últimas duas décadas. Em 2008, no auge do formato, o mercado físico norte-americano chegou a movimentar US$ 11,6 bilhões durante o ano. Em 2025, o total caiu para apenas US$ 1,5 bilhão, também o menor resultado anual já registrado.
A tendência ajuda a entender por que empresas como a Sony estão reduzindo progressivamente sua dependência de discos e apostando cada vez mais na distribuição digital.

Pouquíssimos jogos ainda alcançam grandes números nas lojas
Os dados apresentados pelo analista Mat Piscatella mostram que não é apenas a receita total que está diminuindo.
Na semana encerrada em 11 de julho, somente dois jogos para plataformas PlayStation conseguiram ultrapassar 10 mil unidades físicas vendidas nos Estados Unidos.
O desempenho acumulado do ano também demonstra como as grandes tiragens se tornaram raras. Até o período analisado, apenas sete jogos haviam vendido mais de 100 mil unidades físicas no país.
São números bastante diferentes daqueles vistos em gerações anteriores, quando chegar às lojas com milhões de discos fazia parte do lançamento de praticamente qualquer grande produção. Hoje, uma parcela cada vez maior das vendas acontece diretamente nas lojas digitais dos consoles e do PC.
Nintendo concentra 63% do mercado físico
Apesar da queda geral, o formato não perdeu força da mesma maneira em todas as plataformas.
A Nintendo responde por 63% das vendas físicas de jogos registradas no período, mantendo uma presença muito superior à das concorrentes nas prateleiras.
O PlayStation aparece em segundo lugar, com 32%.
Já o Xbox representa somente 4% das vendas físicas, mostrando como o ecossistema da Microsoft migrou de maneira ainda mais intensa para compras digitais e serviços por assinatura.
A diferença também ajuda a explicar por que uma eventual retirada dos discos produz impactos diferentes para cada fabricante. Para a Nintendo, o formato continua representando uma parte importante de seu negócio. Para Microsoft e Sony, o digital já ocupa uma posição muito mais dominante.
Mercado de consoles também encolheu em julho
O momento fraco não ficou restrito aos jogos em mídia física.
A receita obtida com a venda de hardware nos Estados Unidos caiu 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a aproximadamente US$ 282 milhões.
Ao mesmo tempo, comprar um console ficou mais caro.
O preço médio de um novo aparelho aumentou 16%, alcançando US$ 542.
A combinação de preços mais altos com menor volume de vendas mostra um mercado de hardware enfrentando dificuldades diferentes daquelas vistas no software, mas igualmente pressionado.
Números ajudam a explicar estratégia da Sony
A queda histórica acontece em meio à forte discussão sobre o futuro da mídia física no PlayStation.
A Sony planeja deixar de produzir discos para novos lançamentos da plataforma a partir de janeiro de 2028, decisão que provocou protestos entre jogadores preocupados com preservação, colecionismo e propriedade dos jogos.
Do ponto de vista comercial, porém, os dados da Circana mostram por que continuar sustentando toda uma cadeia de fabricação, armazenamento e distribuição física se tornou menos atraente.
O mercado norte-americano passou de US$ 11,6 bilhões em 2008 para US$ 1,5 bilhão em 2025 e agora registra seu pior mês em mais de três décadas de acompanhamento.
Isso não significa que o interesse por discos tenha desaparecido. A participação de 63% da Nintendo mostra que ainda existe um público relevante quando o ecossistema favorece o formato.
Mas os números deixam cada vez mais evidente que, para boa parte da indústria, a mídia física deixou de ser o principal negócio e caminha para ocupar um espaço cada vez mais específico dentro do mercado de videogames.