Shawn Layden voltou a tocar em uma das feridas mais curiosas da história recente da PlayStation: o fracasso do PS Vita. Para o ex-líder da marca, a Sony teria sido melhor servida se tivesse apostado em uma continuação direta do PSP, em vez de tentar reinventar sua linha de portáteis com um aparelho mais caro, mais ambicioso e cheio de decisões questionáveis.
A avaliação de Layden é simples. Na visão dele, a Sony não precisava criar um portátil completamente novo. O caminho mais inteligente seria pegar o que já funcionava no PSP e corrigir o problema mais óbvio: a falta de um segundo analógico. Segundo ele, um “PSP 2” precisava basicamente disso: mais um stick.

O problema não era evoluir, era complicar
Layden não diz que a Sony errou por querer melhorar o hardware. A crítica dele vai para o excesso. O PS Vita trouxe dois analógicos, tela OLED, painel traseiro sensível ao toque, novo formato de mídia física, cartões de memória proprietários e uma proposta muito mais sofisticada do que a do PSP.
O problema é que cada escolha aumentava o custo. A tela OLED, por exemplo, era um componente caro para a época. Os cartões de memória próprios também se tornaram uma das críticas mais recorrentes ao portátil, já que o jogador não podia simplesmente usar um cartão SD comum.
Na prática, o Vita parecia poderoso, moderno e premium. Mas também ficou mais caro, menos acessível e mais difícil de vender como sucessor natural do PSP.
A Sony trocou simplicidade por uma aposta mais cara
A frase mais dura de Layden é justamente essa: em vez de fazer um PSP 2, a Sony fez o PS Vita. Para ele, a empresa poderia ter mantido a identidade da portátil original e entregado uma evolução mais direta, sem criar uma lista de novidades que encarecia o produto e aumentava o risco comercial.
O ponto faz sentido quando olhamos para o contraste com a Nintendo. Enquanto a Sony tentava levar uma experiência cada vez mais próxima dos consoles de mesa para o bolso, a Nintendo seguia uma lógica mais simples: hardware eficiente, custo controlado e jogos feitos para funcionar naquele formato.
Layden chegou a citar uma história atribuída a Shigeru Miyamoto, da Nintendo, sobre avaliar cada recurso pelo custo que ele adiciona ao produto. A ideia é direta: uma função pode ser interessante, mas precisa justificar o preço. Caso contrário, vira peso morto no orçamento e, no fim, na conta do consumidor.

Uma crítica que ainda faz sentido hoje
A fala de Layden pesa porque não parece apenas uma análise sobre o passado. Ela também funciona como recado para qualquer empresa que tenta transformar cada novo hardware em uma vitrine de tecnologia. Nem toda inovação melhora um produto. Às vezes, ela só deixa tudo mais caro.
No caso do PS Vita, a Sony tinha uma base clara: o PSP era conhecido, tinha identidade e precisava de uma evolução óbvia. Segundo Layden, bastava seguir esse caminho com mais cuidado. Em vez disso, a empresa colocou novidades demais, aumentou o custo e acabou entregando uma portátil que impressionava no papel, mas não teve força suficiente no mercado.